Beija o meu amor, que beija o infinito,
o beija-flor como as estrelas,
beijam a vontade de voar,
invejo-os, porque amas
sempre, como a eternidade
das coisas irreais.
O que será?
O que será
a metade que me
cobre por inteiro?
Àquela metade
que me cospe
e me vomita?
A metade da vontade
de
dizer tudo,
a metade que despe
a minha
plenitude?
e mata
o suicídio de te ter.
Você II
Estou impregnado
de um
passado com suor
de presente.
Um amor
mordido
pela
a ilusão
sinto
ainda
o seu gosto amargo.
E acho que
por mais que goze,
nunca amarei
como não te
amei.
tudo começou
errado, fui infiel
e fiz da minha esperança
um abismo.
Sinto falta
de você,
mas não
tenho o direito
de incomodá-la,
por quê ?
se terminamos,
estou impregnado
de um passado com
suor do presente.
Meu Instinto
Meu instinto
É a minha sentença
Estou condenado
Senti-lo
Por toda a minha
infinidade.
Mas, por quê?
Sou o que não sou,
O inverso
Do verso
A metade do inteiro.
O meu instinto
é a minha vida?
É a poesia que
Não me alimenta
Apenas assassina
O meu tédio.
Instinto é vida!
Incompleto
Você que
me chama,
e tece
a chama
do insensato
Dentro de mim.
Você que cospe
Verdade,
Que meus
ouvidos ignora.
Por ora silencia com
Hálito maciço
E suave do prazer.
Você que não mora
Na minha agenda, embora
Esteja marcado
Como algo
Indestrutível
Na minha alma,
Incompleto possuído
Por um desejo incansável
De preencher
A lacuna de
Você dentro de
mim.
Por mais que
Sacie
O meu sexo,
Haverá infinitos
Orgasmos
A serem expostas.
Jaculo a decisão
E mato
A minha sede
Completa na plenitude
Da urgência do agora.
sobrevivência
salto,
observo
bem ai
rota e
embrulho a
vida de
incerteza
viver
se tornou raro
não estamos habituados
Caminhar em
Direção à
viA do amor.
Crise
Abra a porta
estou sufocado
com ausência
do desejo e da esperança
As luzes do porão do me u
ser estão jazidas, mas não enterro os meus
sonhos,
com eles que eu nutro
este poema de poesia.
Paz
Estou alcoolizado
pela palavra
que ainda não achei.
Procura-a no
invisível
dos olhos negros, pardos e
doces dos poetas, dos homens
das mulheres
uma palavra que seja congruente
aos ângulos da paz, uma geometria humana,
cuja a energia
se potencializa em cada um de nós.
Droga do prazer
Estou intoxicado pela droga do prazer,
uma busca no
abismo.
entorpecido o prazer
arranca as minhas
entranhas,
aproxima
o meu hálito de uma
compulsão masoquista.
tenho que me livrar
desse vício
que todos têm
e tampouco desejamos,
prazer,
uma incógnita
eclipse
do orgasmo do
mundo.
Sonhos I
Tenho
uma convicção
pura quase inata, os meus sonhos
são os meus filhos,
sem parto normal,
nascidos na estrela da aurora,
no sorriso da lua
na imensidão dos horizontes.
Os meus sonhos são o perfume da flor
recém nascida,
inacabada,
geminada pela
mão do amor
pela vida.
Mulata
Na sua cor esta o
desenho do meu desejo,
seu cheiro purifica o meu
instinto, enlouquecido
pelos seus olhos.
Quero-te minha linda
sereia!Navegar nos seus olhos,
abrigar conquistas
na praia deserta
do seu corpo
despido lindo!
Quero-te para sempre. Adoro-te
hoje e sempre.
O que são?
O que são?
As dores
Que não sinto.
Os amores
Que perdi
E não
Os vivi.
O que são?
Os desejos
De um povo,
Que matam
Deuses,
ressuscitam
prostitutas, gozam
do gozo
baboso
do outro.
Que saúdam assassinos
Que glorificam corruptos
E elegem
analfabetos letrados,
que enforcam
a liberdade de
inocentes
e libertam
presos ricos
O que são?
Estes povos, a voz de
Deus ou
Do diabo?
Sonho II
Eu sou de aço assim como os meus
sonhos.
Eu sou do tamanho
dos meus
sonhos
que são do tamanho do universo.
Os meus sonhos são de hoje
e de todos.
Mistério
O teu olhar
é um
enigma
O teu sorriso
mistério que
não
decifro.
Como
sentinela
você observa
e
indaga todos e tudo,
O
mistério começa
com olhar,
Olhar de curiosidade,
sem conceito,
virgem
de si.
Mistério começa e
termina com o olhar
dos
dicionários.
Algo
Algo me invade e
ensurdece
o meu escuro
como um grito feminino
estalado pelo soco covarde.
Algo me invade e me arde
de dentro para fora, como os Estados,
Municípios
sem nação.
Algo me invade e não demora sair.
Não -poesia
Armaram-se de
ternos e gravatas,
Onde estão os poetas?
Incumbidos de dizer
aquilo que não sentimos,
Onde estão os poetas?
Longínquo momento
de deleite da palavra,
A não-poesia instalou
nos ventres
dos poetas,
Onde estão os poetas?
Arte
Múltiplas cópias
de segundo marcam
o compasso da arte.
Arte ingrata que recebe
mais que fornece.
Arte maldita,
arte de graça!
Arte, não infinita,
não arte mas arte,
Arte que não reduz a si mesmo
é mesmo arte?
Fome
Tenho fome
da fome
do mundo.
Fome inconsumível
dentro
de uma migalha
de minuto.
Fome que
não rima com nada
fome que não sente fome.
Fome que consome
que não some.
Fome que mata o homem?
Será?
Preciso pular o muro que me
cega a utopia
Impreciso
penso não fazer parte da
ausência
de mim.
Cuspo injustiça,
urino
estrupos,vomito
mortes e assaltos,
Engasgo com os jornais.
Repenso,
Haverá sentido para tudo isso?
Sonho III
Sou feito desse
material,
denominado
sonho
A certeza da
minha
existência
A aposta
da minha vida,
Sou feito
desse material
chamado
sonho,
cuja
o símbolo
cristaliza
o meu dia.
Parto
Parto para perto
do porto
de pedra
da minha vida.
Se não pudesse partir,
o que faria?
Voaria como
vento
metarfoseando
numa brisa
criando raios, rasos
risonhos de sol!
Parto para dentro
de ausência de mim numa
crua procura de mim.
Medo(?)
Quem és?
Quero lamber as suas feridas
medo, quem és?
Não sinto pavor de te,
mas sim angústia de
sua ausência.
A lacuna do fundo
do
oceano.
Medo,
para quê?
se medo, temos todos?
Medo,
incógnita
Perdida no espaço
triangular
dos nossos atos.
Medo, sinto medo.
da ausência de te.
Greve
O poeta esta de greve
Não remunerada
Taxada
De adeptos
Sensibilizados
Com abstinência
Incomum.
O poeta não fala
Ontem bebeu
Um café lê um jornal.
Saiu.
Partiu sem se despedir da empregada,
A repartição do
Trabalho e da vida
clamam
poesia no entanto
o poeta esta de greve, não
remunerada disfarçada de
férias prolongadas.
Tempo
Embelecido por ontem a semana
Passada namorou-se com o ano retrasado.
Há uma hora atrás paralisou
A semana que ‘vêm’.
O amanhã não veio nem o
ontem nem o
hoje.
Amanhã, virão
Todos atrasados por terem se perdido
No tempo globalizado.
Sofrimento
Hematomas pulsam
a hipertensão da aurora.
A mulher cospe sangue.
O seu genital ainda torturado
declara ausência
diária, mensal, anual
de carinho.
Cinco de Novembro
as cinco horas do quinto dia do mês
na quinta esquina,
a mulher esta drogada e lúcida,
no entanto seus hematomas
sorriem para as estrelas
congeladas no gesso nulo
do seu sorriso lindo!
Quero III
Quero
lamber
a ferida
infinita
e invisível
da minha
alma.
Pairar no horizonte
sussurrar
ao
cego
como
é belo
a sua visão !
Alpinista
subjetivo
alcança
o
Everest
ainda
sem
oxigênio.
As angústias
não minaram
o seu
ser.
Peregrino
fiel,
segue
a sua
romaria.
Ininterrupto
no momento
mais
calmo
e intenso
de sua
morte.
(?)
Sou
Sou um
Herói sem reputação,
àquele que a
amada desejou
e odiou.
Sou um poeta
Que não sabe o que
amor,
que não tem respostas.
O que mais eu sinto
me denuncia
me
exila de mim
mesmo.
Me faz o inverso,
livre
e asfixiado pelo
excesso
de oxigênio.
Sou mil interpretações
E nenhuma
pergunta.
Saio do transe
Que a confissão me aprisiona
Sou um libertino
Na minha prisão.
Amor
Amor é silêncio
é busca no desencontro,
é quando eu
e você não sabemos
nada, e revertemos
os nossos
caminhos de mão e
abraços amigos.
Teu sexo
O teu
cheiro
me embebesse,
e me excita.
O teu sexo
molhado de
minha
saliva
lubrifica
os meus
dedos.
Apos um gozo
mútuo dormimos
amantes somos,
De um amor
que cospe
lava, que
suga suor
que extravasa
tensão e prazer,
somos feitos
explosivamente
do mesmo
veneno
Chupo o
teu sexo
beijo as
suas coxas
abro-te
e a penetro,
gozamos
como o sol
após
a explosão
do mundo.
Sonhos
Eles
são
feitos
de oxigênio.
Rirem como
nuvens
borbulham
como
estrelas,
gozam como
os deuses
São como
o sol
seu calor alimentam
uma vida.
para isto
que os sonhos são feitos
para fazer
a
vida respirar.
Cadê?
cadê você que
revira a
minha
vontade.
que extravia os
meus planos,
dissemina
rotas
minhas.
cadê você
que me vê
em todo lugar
e me acha sem
eu te querer?
mas você
é
como
o vento,
goza no meu rosto
e me cospe
sem gosto.
Você
que está em tudo, e
embora fuja de mim
eu a vejo em todo lugar.
Cadê você?
Que me angustia
Com ausência de nada.
Cadê você?
Que se perde
no encontro
que
Jamais
Tivemos?
Você que soletra o
meu nome, você inferno da
minha carne,
sexo doce e molhado,
tentação
tão sedenta de mim.
Você que
pariu a minha
loucura ,
você
gozo fervente,
gás tóxico de
puro delírio,
vulcão ascendente,
Você que rir
do meu ridículo.
Você que some assim,
Sem chagas,
sem nada.
Você que eu amo.
Cadê você ?









